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Mamutes machos morriam mais de maneiras idiotas do que fêmeas

Assim como os machos de um certo macaco pelado com dedões opositores, os mamutes com cromossomo Y corriam mais riscos desnecessários do que as fêmeas.

Por Bruno Vaiano Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
14 nov 2017, 18h02 • Atualizado em 20 dez 2023, 12h37
  • Em 1567, o político alemão Hans Steininger – famoso por sua barba de mais de dois metros – se esqueceu de guardar o imenso ornamento capilar no bolso ao fugir de um incêndio. Correndo desesperado, tropeçou em seus próprios pelos, caiu e quebrou o pescoço.

    A história é quase tão ruim quanto o advogado americano Clement Vallandigham, que em 1871 morreu no tribunal ao dar um tiro no próprio abdômen. Ele estava tentando demonstrar ao juiz o movimento que um homem havia feito com os braços ao apontar uma arma para si próprio e se suicidar – mas a simulação foi tão boa que Vallandigham acabou esbarrando no gatilho e se matando também.

    Homens adoram morrer de bobeira – e morrem mais e de jeitos mais criativos que as mulheres. E agora descobrimos que essa predileção por péssimas ideias não é exclusiva do cromossomo Y humano. Um grupo de pesquisadores do Museu de Ciência Natural da Suécia descobriu que os mamutes machos que viviam na Sibéria na pré-história morriam por acidente com muito mais frequência que as fêmeas.

    “Em muitas espécies, os machos tendem a fazer coisas estúpidas e acabam morrendo de jeitos bobos. Parece que esse era o caso dos mamutes”, afirmou Love Dalén, um dos biólogos do museu, ao The New York Times. “As fêmeas mais velhas são mais sábias, elas sabem mais do que ninguém.”

    Tirar a conclusão não foi tão difícil assim. Durante as escavações, Dalém e seus colegas encontraram 98 esqueletos de mamute, e estabeleceram seus sexos por meio de análises genéticas. Dois terços eram de machos, o que não fazia nenhum sentido estatístico: em qualquer espécie – inclusive a humana –, o mais comum que haja aproximadamente um macho para cada fêmea. Pelo mesmo motivo que, se você jogar uma moeda vezes suficientes, o número de caras e coroas acaba se igualando com o passar do tempo.

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    Em busca de uma explicação para essa anomalia, eles começaram a prestar atenção no local em que cada espécime era encontrado. E aí mataram a charada: os ossos de machos geralmente apareciam em armadilhas naturais, como lagos cobertos por camadas muito finas e frágeis de gelo ou locais que foram atingidos por deslizamentos de terra. O tipo de risco que uma experiente vovó mastodôntica nem sonharia em correr – mas que um mamutinho adolescente, curioso e cheio de hormônios, está super disposto a encarar.

    Os machos, porém, têm uma desculpa para depor a seu favor: sua inconsequência é resultado da superproteção na infância. Da mesma forma que os elefantes atuais, os mamutes bebês provavelmente cresciam em bandos de animais liderados por fêmeas – que os acompanhavam até os 14 ou 15 anos. Nessa idade, eram soltos no mundão e acabavam se juntando a grupos com outros machos jovens recém-emancipado para sobreviver. Sem saber nada sobre a vida, eles se metiam em situações arriscadas. Mais ou menos como você nas primeiras festas da faculdade.

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