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Mais ricos já usaram sua fatia de emissões de CO2 nos primeiros 10 dias do ano

Em menos de uma semana e meia, os ricaços emitiram, per capita, 2,1 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, valor ideal para um ano calculado pela ONU.

Por Eduardo Lima
13 jan 2025, 19h00

O 1% mais rico da população mundial já usou sua parcela justa do tanto de CO₂ que pode ser liberado na atmosfera nos primeiros 10 dias do ano. Nesse curto período, os hábitos de consumo de um indivíduo ricaço causaram, em média, a emissão de 2,1 toneladas de dióxido de carbono.

A análise vem de um relatório da Oxfam, uma confederação de 21 ONGs dedicadas a aliviar a pobreza global e enfrentar as desigualdades. Os dados da organização mostram que uma pessoa que faz parte dos 50% mais pobres da população mundial levaria quase três anos (1.022 dias) para criar a mesma quantidade de poluição que algum pertencente do grupo dos mais ricos cria em menos de uma semana e meia.

Toda transação comercial tem uma pegada de carbono, que representa o total de emissões de gases de efeito estufa causadas por um processo ou produto. Os hábitos de consumo luxuosos dos mais ricos, que também consomem em maiores quantidades, são responsáveis por mais emissões de CO₂ em todos os níveis da pirâmide de produção, da fábrica à embalagem.

Um exemplo clássico de como a pegada ecológica dos mais ricos é diferente da dos mais pobres é o modo de transporte. Enquanto os 50% mais pobres usam carros, transporte público e as pernas, uma parte pequena do 1% usa jatinhos como se fossem táxis. O Brasil é o segundo país com mais emissões de carbono por jatos, e a Super já tratou do assunto aqui.

Desigualdade dentro da desigualdade

Emissões de dióxido de carbono são as principais responsáveis pelo efeito estufa, o processo que está desencadeando o aquecimento global. O jeito de parar as mudanças climáticas que acontecem por decorrência disso é diminuir as emissões de gases, mas isso não parece estar acontecendo.

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A Oxfam chamou o dia 10 de janeiro de “Dia dos Ricos Poluidores”. A parcela justa de CO2 é calculada com base no orçamento global de emissões de gases. Esse orçamento é baseado na quantidade máxima de dióxido de carbono que pode ser lançada na atmosfera sem que o planeta ultrapasse a marca de 1,5 °C de aquecimento – coisa que aconteceu pela primeira vez em 2024, segundo o observatório climático Copernicus, da União Europeia.

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Quem calcula o orçamento de carbono anual não é a Oxfam, e sim o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP). Segundo a organização da ONU, uma pessoa deveria emitir – contando todos os hábitos de transporte e consumo – somente 2,1 toneladas de CO2 por ano.

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Uma pessoa que pertence ao 1% mais rico emite 76 toneladas de dióxido de carbono a cada 365 dias. A metade mais pobre do mundo só emite 0,7 tonelada no mesmo período.

A desigualdade também é grande dentro do 1% mais rico, que representa cerca de 80 milhões de pessoas. Segundo a Oxfam, num período de uma hora e meia, um dos 50 bilionários mais ricos do mundo emite mais carbono do que uma pessoa média durante toda sua vida.

Isso quer dizer que, em 90 minutos, é capaz que Elon Musk, Mark Zuckerberg ou Jeff Bezos contribuam para o aquecimento global aquilo que você causaria em 76 anos (a expectativa de vida no Brasil).

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O relatório da confederação chama atenção para a desigualdade de quem contribui – e quem mais sofre – com a crise climática. Para cumprir o Acordo de Paris e limitar o aquecimento global a 1,5 °C, o 1% mais rico da população mundial precisaria reduzir seu nível de emissões calculado em 2015 em 97% até 2030.

É um grupo minoritário, em termos numéricos, que emite mais que o dobro de CO₂ emitido pela metade mais pobre do globo.

A Oxfam também estima que, até 2050, 80% das mortes por calor extremo vão acontecer em países de renda média-baixa ou baixa. A contribuição desigual para o aquecimento global dos mais ricos resulta em consequências desiguais, que afetam a todos, mas especialmente os mais pobres.

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Entre as sugestões da confederação de ONGs para resolver o problema está o aumento do financiamento climático para países do Sul Global, que estão sofrendo os piores impactos da crise do clima, e a criação de impostos sobre a renda e a riqueza do 1% mais rico da população.

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