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Lobos também podem se apegar a humanos, diz estudo

Os lobos se equipararam aos huskies siberianos em um teste feito pela Universidade de Estocolmo – mas isso não significa que você deve sair adotando filhotes por aí.

Por Maria Clara Rossini
27 set 2022, 16h28 •
  • A família Stark, de Game of Thrones, está de prova: da mesma forma que os cachorros, os lobos também podem se apegar aos humanos se forem criados juntos desde cedo. Essa é a conclusão de um estudo feito pela Universidade de Estocolmo, na Suécia.

    No experimento, 12 cães da raça husky siberiano e 10 lobos cinzentos europeus foram submetidos à mesma criação: todos foram “adotados” quando tinham 10 dias de vida, e permaneceram sob o cuidado dos humanos por 23 semanas – pouco mais de cinco meses.

    Após esse período, os animais passaram por um experimento chamado “Strange Situation Test”, um método criado nos anos 1970 originalmente para testar o apego de crianças aos seus cuidadores. Nos últimos 20 anos, esse teste também tem sido adaptado para cães – e agora, lobos.

    Funciona assim: a cuidadora (que representa o papel de “mãe”) entra em uma sala com o animal e interage com ele, brincando ou fazendo carinho, por exemplo. Depois que a “mãe” sai, entra uma mulher desconhecida para o animal, que também interage com ele. As duas mulheres se revezam nesse esquema algumas vezes.

    Tanto os cães quanto os lobos demonstraram mais afeto, passaram mais tempo cumprimentando e permitiram maior contato físico com a cuidadora que já era familiar. Também era mais provável que os animais seguissem a cuidadora até a porta quando ela saía da sala.

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    O resultado não foi surpreendente para os pesquisadores. Outros estudos já haviam apresentado conclusões semelhantes, embora com metodologias diferentes. Afinal de contas, foi graças a esse instinto dócil com os humanos que os lobos (ou melhor, cães), viraram o melhor amigo do homem.

    O lobo foi o primeiro animal a ser domesticado pelos humanos. Na pré-história, as matilhas de lobos e grupos de humanos se aproximaram, mas a amizade só se consolidou com os animais mais dóceis. Rolava uma troca mútua de alimento e proteção entre as duas espécies. A partir daí, o homem foi selecionando ninhadas cada vez mais mansas e afetuosas, enquanto as mais agressivas permaneciam distantes. Com o tempo, esse grupo dócil de lobos deu origem a uma nova espécie: os cães.

    O fóssil mais antigo de um cachorro (Canis familiaris) data de 15 mil anos atrás. No entanto, análises genéticas indicam que a espécie divergiu dos lobos (Canis lupus) há 30 mil anos. Isso pode ter ocorrido mais de uma vez, com os cães evoluindo de populações distintas de lobos.

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    Apesar das semelhanças, há um ponto em que os lobos divergiram dos cães durante o teste. A espécie selvagem demonstrou mais medo e estresse quando teve que lidar com a pessoa estranha. Eles ficaram encolhidos, com o rabo entre as pernas e se afastaram do humano. Os huskies, por outro lado, não se sentiram desconfortáveis.

    Os lobos só relaxavam quando o cuidador voltava para a sala – mesmo que a pessoa estranha ainda estivesse lá. Os pesquisadores pretendem continuar estudando as semelhanças e diferenças entre lobos e cães para esclarecer a história evolutiva entre as duas espécies.

    “Se alguma variação do apego aos humanos existe em lobos, esse comportamento pode ter sido um alvo em potencial para pressões seletivas exercidas durante a domesticação”, disse a pesquisadora Christina Hansen Wheat, em nota.

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    A pesquisa foi publicada no periódico Ecology and Evolution.

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