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Japão importa vírus ebola em preparação para as Olimpíadas de 2020

Os cientistas pretendem usar os agentes infecciosos para validar o diagnóstico de ebola e quatro outras doenças

Por Maria Clara Rossini
23 out 2019, 18h00 • Atualizado em 23 out 2019, 18h02
  • Ano de olimpíada comove o mundo inteiro. O país sede recebe milhares de pessoas, culturas, dinheiro e… doenças. 2020 é a vez do Japão sediar os Jogos Olímpicos — e ele já está tomando as primeiras medidas para evitar possíveis surtos durante o evento.

    Em setembro, o Japão importou cinco vírus causadores de doenças, inclusive o ebola. Os pesquisadores do país desenvolveram diagnósticos que indicam se a pessoa porta um vírus infeccioso. Os patógenos importados servem justamente para testar e validar o novo método.

    Além do ebola, os quatro outros agentes são causadores de febres hemorrágicas típicas da América do Sul e África, como os vírus de Lassa e de Marburg. De acordo com a Nature, esses são os vírus mais perigosos e letais que já entraram no Japão.

    Todos esses necessitam de biossegurança de nível 4. Essa classificação é reservada aos causadores de doenças letais, que devem ser guardados em instalações especiais e só podem ser manuseados segundo uma série de regras rígidas.

    O Japão só tem um estabelecimento adequado para abrigar os “intrusos”: o Instituto Nacional de Doenças Infecciosas, a 30 quilômetros de Tóquio. O laboratório precisa ser localizado em um prédio isolado e conter sistemas de descontaminação e outras medidas de segurança. Para trabalhar lá dentro, é preciso usar uma roupa completa pressurizada e com fornecimento de ar, quase como um uniforme de astronauta.

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    Apesar de serem extremamente perigosos, os vírus podem evitar um problema muito maior. Com a recepção de tantos visitantes internacionais, não é impossível que o país tenha que lidar com doenças infecciosas durante ou depois das olimpíadas.

    O Japão precisou importar os vírus porque não há ocorrências dessas doenças no país. Segundo Masuaki Saijo, diretor do departamento de febres hemorrágicas do instituto, as pesquisas e técnicas desenvolvidas com os patógenos irão ajudar não só no momento das Olimpíadas, mas também na a prevenção de outras ameaças infecciosas no futuro.

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