Emissões globais de gás carbônico devem aumentar 1,1% em 2025
No ritmo atual, iremos ultrapassar o limite do Acordo de Paris em quatro anos, segundo um novo relatório.
O mundo deve emitir 38,1 bilhões de toneladas de CO2 em 2025. A projeção é de pesquisadores do Global Carbon Project, da Universidade de Exeter, na Inglaterra. O documento Global Carbon Budget 2025 foi apresentado na última quinta-feira (13) durante a COP30, em Belém. Essa é a 20º edição do relatório, que contou com a contribuição de 130 cientistas.
As emissões de carbono vindas da queima de combustíveis fósseis devem aumentar 1,1% em comparação com o ano passado. Esse é o mesmo aumento que 2024 teve em relação a 2023.
Os cientistas estabelecem uma quantidade de CO2 que podemos emitir na atmosfera se quisermos manter o aquecimento do planeta em até 1,5ºC, limite estabelecido no Acordo de Paris em 2015. O “saldo” disponível é 170 bilhões de toneladas de CO2, quantidade que provavelmente atingiremos até 2030.
Pensa só: se nós emitimos 38 bilhões em 2025, resta pouco mais de quatro anos para batermos os 170 bilhões, se continuarmos em um ritmo semelhante. Isso é o que falta para entrarmos no “vermelho”. Segundo os pesquisadores, esse saldo está praticamente esgotado.
O relatório divide o saldo de carbono em dois tipos: advindos da queima de combustíveis fósseis ou de mudanças no uso da terra. A vegetação, vale lembrar, captura o dióxido de carbono da atmosfera. O desmatamento elimina essas fontes de absorção e armazenamento de carbono, contribuindo para o aumento da concentração de CO2. O fitoplâncton dos oceanos também são responsáveis por boa parte da captura de carbono.
Metade do dióxido de carbono emitido pela humanidade fica na atmosfera, sendo motores das mudanças climáticas. A outra metade vai para “ralos naturais”, que podem ser a vegetação terrestre ou a biodiversidade marinha.
Apenas três países são responsáveis por metade das emissões globais de dióxido de carbono: China (que contribui para 32% das emissões globais), Estados Unidos (13%) e Índia (8%). Todos apresentaram aumento das emissões em 2025, mas em taxas diferentes.
O país que mais aumentou as emissões são os Estados Unidos, com crescimento de 1,9%. Isso pode ser explicado pelo inverno rigoroso no início do ano, o que aumentou a demanda de gás para o aquecimento.
A Índia e China cresceram em taxas mais modestas, de 1,4% e 0,4%, respectivamente. Ambos estão abaixo do crescimento da última década. A tendência pode ser explicada pelo aumento de energias renováveis, especialmente a solar, nos dois países.
Já o Japão contribui para 2,5% das emissões globais. Diferente dos outros países, ele deve diminuir suas emissões em 2,2% em 2025. A tendência pode ser explicada por três fatores: reativação de usinas de energia nuclear, expansão da energia solar e crescimento lento da economia.
Os pesquisadores destacam que as emissões por combustíveis fósseis continuam crescendo, mas em um menor ritmo em comparação à década anterior. Entre 2015 e 2025, o aumento das emissões foi em média de 0,8% ao ano, em comparação a 2% entre 2005 e 2015.
Já as emissões por mudança do uso da terra diminuíram em 2025. Essa fonte emitiu 4,1 bilhões de toneladas de CO2 este ano, em comparação a 5 milhões de toneladas anuais na última década. “Houve um auge nos anos 1990, e desde então há uma tendência de diminuição das emissões”, diz Thaís Rosan, da Universidade de Exeter, em comunicado à imprensa.
Por fim, o relatório apresenta um balanço entre fontes (emissões de CO2) e ralos (absorção de CO2). Ele veio acompanhado de uma nova pesquisa no periódico Nature, que examina o impacto das mudanças climáticas nos ralos naturais de CO2. O estudo conclui que 8% do aumento na concentração de CO2 na atmosfera desde 1960 se deve ao enfraquecimento na capacidade de absorção dos ralos naturais.
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