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Como é uma expedição arqueológica no fundo do mar?

Por 31 ago 2005, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h54
Como é uma expedição arqueológica no fundo do mar? Priorizar nos meus resultados Google

Érica Montenegro

Nada de mergulhadores. Nas mais modernas expedições subaquáticas, quem vai até o naufrágio são máquinas de alta precisão conhecidas como ROVs (veículos de operação remota, na sigla em inglês). Elas chegam a 4 mil metros de profundidade, enquanto um mergulhador só chega a até 500 metros.

O ROV mais famoso tem até nome: chama-se Hércules e foi desenvolvido pela equipe de Robert Ballard, oceanógrafo que descobriu os naufrágios do Titanic e do navio de guerra alemão Bismarck. Nessas expedições, dinheiro é item indispensável. O equipamento utilizado, câmeras e máquinas de última geração, não é nada barato. Além disso, é preciso uma equipe enorme para fazer o projeto funcionar. Ballard, por exemplo, gasta cerca de 40 mil dólares por dia quando está pesquisando um naufrágio.

As expedições começam ainda em terra firme. Pesquisadores visitam arquivos históricos para reunir pistas sobre localização, circunstâncias dos acidentes e tesouros desaparecidos. Também é preciso conseguir autorizações dos governos já que, assim como fronteiras terrestres e aéreas, o fundo dos oceanos obedece a legislações específicas.

Os primeiros dias na água são só para investigação. Nada é retirado do lugar até que os pesquisadores completem uma espécie de mapa do naufrágio com a localização das peças que resistiram ao tempo. O expediente garante que a equipe não perca informações importantes, que poderão ser usadas depois para recontar a história do acidente. “Naufrágios são como cápsulas do tempo para reconstituir a história”, diz Dwight Coleman, da equipe de Ballard.

A estrela da casa

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O Hércules, um dos melhores ROVs do mundo, é equipado com câmeras de altíssima definição, braços mecânicos e sensores que medem pressão, temperatura da água, concentração de oxigênio e salinidade. Tudo para realizar o resgate dos objetos com segurança.

Gente fora d’água

O Hércules rala 24 horas por dia e, por isso, 6 times de operadores trabalham em turnos de 4 horas. Da sala de controle no navio, recebem imagens e manipulam o ROV usando um joystick que lhes permite sentir a resistência que o equipamento enfrenta no fundo da água.

Resgate fácil

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Depois que o mapa do local está pronto, ROVs recolhem os objetos encontrados e os colocam em elevadores ligados ao navio por cabos. O elevador é içado até a superfície e o objeto passa pelo processo de dessalinização (ver quadro abaixo).

A melhor amiga do Hércules

O ROV da equipe de Ballard é sempre acompanhado pela plataforma Argus. Ela leva câmeras e luzes que permitem aos operadores observar os arredores do Hércules. A Argus não pode ser operada por controle remoto. Os operadores usam o cabo quando querem deslocá-la para alguma parte.

Delicadeza surpreendente

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Apesar de serem máquinas grandes, ROVs executam tarefas delicadíssimas, como manejar os objetos encontrados. Assim, mesmo em expedições a profundidades que permitiriam a descida de mergulhadores, ROVs podem ser escolhidos para a tarefa.

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Também temos naufrágios

2 projetos de arqueologia subaquática agitam a costa de Santa Catarina. O mais ambicioso – projeto Solís-Caboto, que ainda está na fase de captação de recursos – prevê pesquisas do lado sul da ilha onde 8 navios do século 16 podem ter afundado. O outro projeto – Arqueologia Subaquática da Praia dos Ingleses, do lado norte – já trouxe de volta do fundo do mar objetos como um sino de bronze, um carregador de canhão e algumas botijas de cerâmica.

Conservação das relíquias

Vasos de 400 anos de idade são encontrados em estado quase perfeito no fundo do mar. O motivo é a falta de oxigênio nessa profundidade, que ajuda na conservação. Retirá-los da água pode causar deterioração. Para evitar danos, eles precisam passar pelo processo de dessalinização: são levados para tanques cheios de água salgada, que vai sendo trocada progressivamente por água destilada até que os componentes químicos do material estejam estabilizados.

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