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Cientistas descobrem um novo rugido de leão

A análise e identificação dos rugidos pode ajudar na preservação dos animais

Por Manuela Mourão
26 nov 2025, 08h00 • Atualizado em 26 nov 2025, 12h00
  • Uma nova pesquisa indica que o rugido de um leão-africano é mais complexo do que pensávamos. Cientistas identificaram um tipo de vocalização até então não classificada, o “rugido intermediário”, que pode se tornar uma ferramenta crucial para proteger uma espécie em acelerado declínio. 

    A descoberta, conduzida por pesquisadores da Universidade de Exeter, surge em um momento crítico. De acordo com a lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, os leões estão vulneráveis ​​à extinção. A população de leões selvagens na África está estimada entre 22 mil e 25 mil indivíduos, metade do registrado há apenas 25 anos. A perda e fragmentação de habitat, a redução de presas e conflitos com comunidades locais continuam diminuindo seu território físico – e agora, sugere o estudo, também afetando o modo como interpretamos sua paisagem sonora. 

    O estudo utilizou inteligência artificial para classificar automaticamente os sons emitidos pelos leões durante uma sequência de vocalizações que incluem gemidos, rugidos e grunhidos. Foi nesse processo que os pesquisadores identificaram três tipos distintos de sons: os já conhecidos rugidos de garganta cheia (full-throated roars), os grunhidos, e o rugido intermediário, um som mais plano e com menor variação. 

    “Minha nova pesquisa sugere que, na verdade, ele [o rugido] deveria ser separado em duas vocalizações distintas”, explicou o autor principal, Jonathan Growcott, em um artigo para o The Conversation.

    Leões machos e fêmeas produzem o que os cientistas chamam de “disputa de rugidos”. Cada uma começa com uma série de gemidos suaves, depois fazem uma sequência de rugidos intermediários e de garganta cheia, que finalmente se transformam em uma repetição de grunhidos. Todo esse show pode durar de 30 a 45 segundos.

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    O rugido intermediário sempre ocorre após o rugido cheio, mas, apesar dessa repetição comportamental, sua forma acústica é nitidamente diferente. A IA identificou com 95,4% de precisão o tipo de vocalização, superando a análise humana e reduzindo um fator frequentemente problemático: o viés subjetivo do especialista. 

    “O rugido de um leão é uma assinatura única”, explicou  Growcott para o The Conversation. Um estudo anterior, conduzido pelo autor, revelou que o rugido de cada leão é tão individual quanto o padrão de manchas de um leopardo.

    Agora, com a nova pesquisa, descobriu-se que rugidos de garganta cheia podem ser usados para identificar indivíduos com 94,3% de precisão – um salto de mais de 2% em relação ao método tradicional baseado em seleção humana dos sons. Esse avanço pode ajudar a estimar a densidade populacional sem depender de observações visuais difíceis e custosas. 

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    Monitorar leões pelo som não é apenas conveniente, é estratégico. Como os rugidos servem para demarcar território, comunicar localização e coordenar movimentos dentro da alcateia, eles funcionam como uma espécie de mapa auditivo da savana. Entender esse mapa pode ajudar a determinar áreas prioritárias para conservação – e talvez prever conflitos entre grupos de leões ou entre leões e humanos. 

    Ainda não está claro qual é o significado comportamental do rugido intermediário. Cientistas há muito especulam que os rugidos transmitam informações sobre o tamanho do grupo, idade e identidade, mas a função de nuances específicas permanece um mistério. “Sem um Dr. Dolittle para traduzir cada rugido, ainda estamos interpretando esses sons às cegas”, brinca o pesquisador ao The Conversation

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    Enquanto a tradução completa do “idioma dos leões” parece distante – e definitivamente não deve aparecer no Duolingo tão cedo – a descoberta reforça a ideia de que a savana é mais ruidosa, estruturada e sofisticada do que aparenta. E que, para proteger esse ecossistema, será necessário ouvir com mais atenção.

    Para Growcott, essa pesquisa aponta um caminho. “Acreditamos que é necessária uma mudança de paradigma no monitoramento da vida selvagem e uma transição em larga escala para o uso de técnicas acústicas passivas”, afirma em comunicado. Técnicas passivas de bioacústica, aliadas à inteligência artificial, prometem revelar padrões antes invisíveis – ou inaudíveis – aos cientistas e “se tornará vital para a conservação eficaz de leões e outras espécies ameaçadas.”

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