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Cientistas descobrem como evitar “apocalipse das bananas”

A fruta mais consumida do mundo está ameaçada por um surto global de um fungo. Agora, um novo estudo encontrou uma estratégia para controlar o patógeno.

Por Manuela Mourão
22 ago 2024, 19h00 •
  • O “apocalipse das bananas” já chegou, e até recentemente parecia não haver muita coisa que pudéssemos fazer a respeito. Isso porque a fruta está ameaçada de extinção funcional devido a uma doença chamada murcha de Fusarium oumal-do-Panamá, causada pelo fungo Fusarium oxysporum, que mata as árvores ao se infiltrar em seu sistema vascular. A Super já explicou essa história aqui. 

    Mas, agora, há uma luz no fim do túnel: uma nova pesquisa, conduzida por uma equipe internacional de cientistas, revelou descobertas que podem virar o jogo. Pesquisadores descobriram um substância produzida pelo fungo que parece ser central no processo de infecção das bananeiras, abrindo portas para novas estratégias de mitigação do problema.

    Extinção das bananas?!?

    A banana que comemos hoje em dia não é a mesma que nossos avós comiam. Aquelas bananas, conhecidas como Gros Michel, estão praticamente extintas devido ao primeiro surto de Fusarium nos anos 1950, explica Li-Jun Ma, principal autora do estudo.

    Hoje, a banana Cavendish é a variedade mais comum no mercado, desenvolvida justamente como uma resposta à doença que dizimou as Gros Michel. Durante cerca de 40 anos, a Cavendish (que no Brasil chamamos de nanica) prosperou nas vastas plantações que abastecem a maior parte do mercado global por ser resistente à cepa original do fungo. Em 1990, porém, esse cenário começou a mudar. 

    “Outro surto de murcha de Fusarium surgiu e se espalhou como incêndio descontrolado, do Sudeste Asiático à África e América Central”, relata Yong Zhang, outro autor da pesquisa. O Foc TR4, fungo responsável pela ameaça atual, não evoluiu da mesma cepa que dizimou as plantações na década de 1950.

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    Contudo, ainda há esperança, segundo os pesquisadores. A virulência desse novo fungo parece ter ligação a genes associados à produção de óxido nítrico. Esse gás é tóxico para a planta e enfraquece o sistema de defesa da árvore, facilitando a infecção do fungo. Essa descoberta, publicada na Nature Microbiology, abre caminho para o desenvolvimento de tratamentos e estratégias que podem, salvar a fruta – ou, pelo menos, desacelerar a propagação ainda incontrolável desse inimigo. 

    A equipe, formada por pesquisadores da China, África do Sul e dos EUA, sequenciou e comparou 36 diferentes cepas do fungo coletadas ao redor do mundo, incluindo aquelas que atacam as bananas Gros Michel. Com apoio da Universidade de Massachusetts Amherst, os cientistas descobriram que o Foc TR4 tem alguns genes que regulam a produção de óxido nítrico fúngico, que participa do processo de invasão do hospedeiro. O fungo também possui genes que protegem ele mesmo da substância tóxica.

    Embora os pesquisadores ainda não compreendam exatamente os detalhes de como essas atividades contribuem para a infestação nas bananas Cavendish, eles observaram que a virulência do TR4 foi significativamente reduzida quando dois genes que controlam a produção de óxido nítrico foram eliminados. Isso sugere que o processo de produção dessa substância pode ser o alvo principal para criar novas estratégias de mitigação, ou até mesmo eliminação, do fungo.

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    Não é só isso

    Ainda há um problema maior: a prática de monoculturas. 

    Ao analisarem a disseminação global dessa nova versão do Fusarium oxysporum, os cientistas perceberam que uma das principais causas para o recente ressurgimento dessa infecção fúngica é o domínio da indústria internacional de bananas a partir de um único clone.

    Todas as bananas são geneticamente iguais, o que significa que são igualmente suscetíveis à patógenos. Essa é uma desvantagem claro da falta de diversidade genética de uma população, é claro.

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    O cultivo de diferentes variedades da fruta pode tornar a agricultura mais sustentável e diminuir a pressão de doenças sobre uma única cultura. Agricultores e pesquisadores podem controlar a doença identificando ou desenvolvendo variedades que sejam tolerantes ou resistentes ao TR4.

    Li-Jun Ma explica: “Quando não há diversidade em uma grande plantação comercial, ela se torna um alvo fácil para os patógenos.” 

    Uma outra solução mapeada pelo novo estudo seria projetar maneiras de eliminar o óxido nítrico, reduzindo a pressão tóxica causada pela liberação dele.

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    Então, da próxima vez que você for às compras, por que não experimentar diferentes variedades de banana que possam estar disponíveis em lojas especializadas? Essa simples escolha pode incentivar a produção de tipos diferentes e ajudar a preservar a fruta mais consumida do mundo. 

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