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Arenques sofrem perda de memória coletiva e erram local de desova em 800 km

Peixes mais velhos, responsáveis por ensinar a rota às crias, são preferência dos pescadores. Sem a sabedoria desses anciãos, cardumes jovens se confundem.

Por Bruno Vaiano Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
16 Maio 2025, 19h00 •
  • O Instituto de Pesquisas Marinhas da Noruega, em parceria com outras instituições acadêmicas, detectou uma alteração de 800 km no local de desova típico de uma variedade de arenque que se reproduz na primavera do Hemisfério Norte, conhecida pela sigla NSS (de spring-spawning herring, que significa, ao pé da letra, “arenque que desova na primavera”).

    Todos os anos, esses peixes nadam cerca de 1,3 mil km a partir de seu habitat rotineiro, nas redondezas do Círculo Polar Ártico, para pôr seus ovos no litoral do condado norueguês de Møre, onde o clima primaveril ameno é muito mais propício à sobrevivência dos filhotes. 

    Nos países escandinavos, que apreciam muito o bichinho na culinária, os pescadores são orientados a capturar apenas arenques mais velhos, para que os jovens tenham tempo de crescer e se reproduzir. O objetivo é manter a população da espécie estável, sem risco de extinção pela exploração desenfreada.

    O problema é que arenques têm uma tradição cultural particular: os peixes mais velhos precisam mostrar as rotas migratórias para os filhotes. Esse é um dado transmitido por aprendizado, que não depende de predisposição genética. Ou seja: se os anciões viram almoço, a juventude perde o rumo. E esse fenômeno pode causar disrupções perigosas nas cadeias alimentares da região.

    Houve um declínio de 68% na biomassa de peixes mais velhos: de aproximadamente 4,0 milhões de toneladas em 2019 para 1,3 milhão de toneladas em 2023. Os arenques recém-nascidos mudaram de rota pela primeira vez em 2016, trocando More por Lofoten, 800 km ao norte. Esse caminho alternativo se tornou cada vez mais proeminente a partir de 2021, e hoje é a escolha majoritária dos peixes.

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    O estudo usou dados colhidos entre 1995 e 2024 das indústrias pesqueiras da Noruega, Islândia e Ilhas Faroe, que dão um retrato minucioso de cerca de 80% do total de arenque pescado legalmente nas últimas três décadas (a captura dessa espécie com finalidade comercial é reportada ao Conselho Internacional de Exploração dos Mares).

    Os pesquisadores também usaram dados de 202 mil arenques equipados com tags de rastreamento via transponder e de levantamentos dos cardumes realizados com sonares.

    Agora que o padrão migratório mudou de vez, é pouco provável que seja possível revertê-lo para a situação original, pré-2021: a nova geração de arenques ensinará seus próprios filhotes que Lofoten é o destino certo. Os pesquisadores ainda não conseguem prever quais serão as consequências exatas desse fenômeno, mas é evidente que ele afetará tanto as cadeias alimentares como a atividade econômica no litoral norueguês.

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