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Âmbar é encontrado na Antártida pela primeira vez. Entenda o que isso revela

Não, ainda não dá para recriar dinossauros. Mas o achado revela mais sobre o passado do continente gelado.

Por Victor Bianchin
30 dez 2024, 18h00

O âmbar entrou no imaginário popular com o filme Jurassic Park (1993), no qual cientistas encontravam um mosquito pré-histórico preservado nessa resina fossilizada e, a partir dele, conseguiam extrair o DNA de dinossauros e cloná-los. Na vida real, o âmbar pode mesmo preservar de forma notável os restos de vários tipos de criaturas, de microrganismos a insetos, mas a chance de se obter DNA intacto das entranhas de um mosquito, como no filme, é praticamente nula.

Isso não impede que o âmbar ainda traga muitas surpresas para a comunidade científica. A mais recente veio do Polo Sul: uma escavação encontrou, pela primeira vez, âmbar preservado na Antártida. Não se trata de um bloco sólido como o de Jurassic Park, mas sim de lascas pequenas, variando entre 0,5 mm e 1 mm de comprimento. A expedição aconteceu em 2017, mas o artigo científico relatando a descoberta só saiu agora, no finalzinho de 2024.

O âmbar é importante porque ele era produzido por árvores coníferas que existiam na Terra entre 83 milhões e 92 milhões de anos atrás, no meio do período Cretáceo, quando as temperaturas no planeta eram muito mais altas do que hoje. Essa descoberta, somada a outros fósseis de raízes e esporos, reforça a conclusão de que, no que hoje é a Antártida, havia uma floresta densa e quente, cheia de brejos e com ampla variedade de flora e fauna.

Essa formação vegetal seria similar ao que observamos hoje na Patagônia e na Nova Zelândia. Inclusive, antes dessa descoberta, os cientistas só haviam descoberto âmbar em alguns lugares da Oceania. Na Antártica, já haviam sido recuperados fósseis de vegetação desde o século 19, mas esses artefatos se referiam à época em que o continente ainda estava conectado à Oceania e à América do Sul — portanto, não era possível dizer se os restos realmente vinham de vegetação local.

“Foi muito empolgante descobrir que, em algum ponto da história, todos os sete continentes tiveram condições climáticas que permitiram a sobrevivência de árvores produtoras de resina”, afirmou em nota o geólogo marinho Dr. Johann P. Klages, do Instituto Alfred Wegener, que liderou o time de cientistas. “Nosso objetivo agora é aprender mais sobre o ecossistema de florestas — se ele queimou, se nós podemos encontrar traços de vida no âmbar. Esta descoberta permite uma jornada ao passado de uma forma mais direta”, declarou.

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“Considerando suas partículas sólidas, transparentes e translúcidas, o âmbar é de alta qualidade, indicando um enterramento próximo à superfície, já que o âmbar se dissiparia se estivesse sob stress térmico excessivo e enterrado muito fundo”, afirmou o geoquímico Henny Gerschel, outro membro do time.  “Nossa descoberta é outra peça do quebra-cabeças e irá ajudar a compreender melhor o ambiente de floresta temperada, com pântanos e coníferas, que identificamos perto do Polo Sul durante o meio do Cretáceo”, acredita ele.

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