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4 maneiras de resfriar as cidades agora – sem ar-condicionado

Segundo relatório da ONU, a demanda por refrigeração pode triplicar até 2050. Conheça estratégias para evitar um aumento das emissões de CO2.

Por Maria Clara Rossini
13 nov 2025, 08h00 •
  • Na última terça-feira (11), o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) lançou o Global Cooling Watch 2025, um relatório sobre calor extremo e bem-estar térmico. No atual cenário, a demanda por refrigeração deve triplicar até 2050, motivada pelo aumento da população e da renda global, por mais eventos de calor extremo e pelo acesso ampliado a formas de se refrescar que também são poluentes – em outras palavras, o ar-condicionado.

    O relatório foi lançado na COP30, em Belém. A cidade é conhecida pela alta umidade do ar e temperaturas que passam dos 30ºC diariamente. Os aparelhos de ar-condicionado estão em praticamente todos os estabelecimentos comerciais e em muitas casas. Qualquer paraense que tenha um dinheiro sobrando opta por investir em um.

    Pedir para as pessoas pararem de usar o ar-condicionado não é uma opção, já que o calor fala mais alto. O problema é que o aparelho é um grande emissor de gases poluentes, com potencial de emitir 7,2 bilhões de toneladas de gás carbônico em 2050 – mesmo com o aumento da eficiência energética. 

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    “Até 2050, o número de pessoas que enfrentam níveis perigosos de calor irá crescer 700%”, disse Inger Andersen, diretora executiva do UNEP, em declaração à imprensa. “O acesso à refrigeração deve ser tratado como uma peça essencial da infraestrutura, juntamente com a água, energia e saneamento básico, porque a refrigeração salva vidas e mantém escolas, hospitais e a economia funcionando.”

    O relatório propõe a adoção de um “Caminho de Resfriamento Sustentável”, que poderia reduzir as emissões em 64% (o equivalente a 2,6 bilhões de toneladas de CO2) até 2050. Essa via também protegeria 3 bilhões de pessoas do calor extremo, e economizaria US$ 43 trilhões em gasto energético e infraestrutura.

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    A estratégia foca em refrigeração passiva, sem o uso de energia elétrica. Conheça algumas estratégias que poderiam ser implementadas nas cidades.

    1. Mudar a maneira como construímos prédios

    Um dos principais pontos do relatório diz respeito à construção de prédios mais inteligentes. Novas construções devem ser pensadas para evitar ao máximo o ganho desnecessário de calor. Isso vai desde implementar padrões de tamanho das janelas, tornar obrigatória a presença de sombras, estabelecer regras para telhados e superfícies que promovam a refrigeração e outras engenhosidades arquitetônicas. 

    No mesmo dia do evento, a Buildings Breakthrough Initiative lançou normas para a construção de prédios resilientes às mudanças climáticas. Essas normas podem ser usadas, por exemplo, para orientar licitações públicas.

    2. Melhores normas de eficiência energética

    As licitações públicas também devem levar em conta a eficiência dos aparelhos de refrigeração usados em escolas, hospitais e prédios públicos. Ao estabelecer uma preferência por opções mais verdes e por regras rígidas de rotulação, o setor público pode mobilizar uma transição do mercado.

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    3. Mais água nas cidades

    Os corpos d’água, como lagos e rios, ajudam a regular a temperatura do solo e do ambiente por meio da evaporação e absorção da radiação solar. Eles diminuem as ilhas de calor urbanas e funcionam como “ralos de calor”, já que ajudam a escoar o calor de toda a cidade.

    4. Árvores. Muitas árvores.

    A COP30 é a COP da floresta. Mas o foco não deve se limitar a proteger a vegetação que está distante da população. Plantar árvores dentro da cidade é uma das engenharias mais eficientes para o resfriamento e proteção contra ondas de calor. Num cenário ideal, a maioria das ruas tem sombras de árvores e a população tem fácil acesso a parques públicos. O uso de telhados verdes, por exemplo, é uma das formas mais eficientes de refrigeração natural.

    Bônus: Usar o ventilador com o ar condicionado

    Se o uso do ar condicionado for inevitável, usá-lo na potência mínima junto com um ventilador seria uma melhor opção. O relatório promove a ideia de “fans first” (“ventiladores primeiro”), dando prioridade a formas de refrigeração elétrica que emitem menos gases de efeito estufa. A circulação de ar favorece o conforto térmico sem precisar diminuir muito a temperatura.

    O lançamento do relatório dialoga com a iniciativa Beat the Heat, encabeçada pela presidência da COP30 e a UNEP. Ela foi criada para mobilizar financiamento e parcerias para proteger 3,5 bilhões de pessoas em 185 cidades contra o calor extremo.

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